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Garcia Advogados

STJ decide sobre Airbnb em condomínio: guia prático para síndicos

A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou um importante entendimento sobre o uso de imóveis em plataformas de hospedagem, como o Airbnb. A decisão estabelece que, quando a convenção condominial prevê destinação exclusivamente residencial, a autorização para locações de curta duração por meio dessas plataformas depende da aprovação da assembleia, mediante quórum qualificado de dois terços dos condôminos.

Na prática, a decisão reforça o papel do síndico na administração do condomínio e evidencia a necessidade de revisar normas internas para garantir segurança jurídica e evitar conflitos entre moradores.

O que o STJ decidiu sobre Airbnb em condomínio?

O STJ concluiu que a exploração frequente de imóveis por plataformas digitais pode modificar a finalidade residencial do condomínio, principalmente pela elevada rotatividade de pessoas, pelos impactos na segurança e pelas mudanças na dinâmica de convivência.

Por esse motivo, quando a convenção estabelece destinação exclusivamente residencial, a utilização das unidades para hospedagem de curta duração somente poderá ocorrer após alteração da convenção condominial, aprovada por dois terços dos condôminos, conforme prevê o artigo 1.351 do Código Civil.

É importante destacar que o Tribunal não proibiu o Airbnb em condomínio. A decisão apenas determinou que a autorização depende da manifestação da coletividade quando houver incompatibilidade com a destinação originalmente prevista na convenção.

O que o síndico deve fazer após essa decisão?

A decisão do STJ exige atuação preventiva. O síndico não deve simplesmente proibir ou permitir locações por aplicativos sem observar a convenção do condomínio.

As principais providências são:

  • analisar a convenção condominial para verificar a destinação do empreendimento;
  • identificar se existe regulamentação específica sobre locações por temporada ou plataformas digitais;
  • consultar assessoria jurídica antes de aplicar sanções aos condôminos;
  • convocar assembleia quando houver necessidade de regulamentação ou alteração da convenção;
  • registrar todas as deliberações em ata;
  • comunicar os moradores sobre as novas regras adotadas pelo condomínio;
  • revisar os procedimentos de cadastro, identificação e controle de acesso de hóspedes.

Essas medidas reduzem significativamente o risco de impugnações e ações judiciais.

A convenção do condomínio precisa ser atualizada?

Em muitos condomínios, sim.

Diversas convenções foram elaboradas antes da popularização das plataformas digitais e não disciplinam expressamente esse tipo de utilização das unidades.

A ausência de regras claras costuma gerar dúvidas sobre direitos e deveres dos condôminos. Por isso, revisar a convenção tornou-se uma medida importante para adequar o condomínio ao entendimento consolidado pelo STJ.

Além disso, um regulamento interno atualizado facilita a atuação do síndico e oferece maior segurança para todos os moradores.

Como reduzir conflitos entre moradores?

Independentemente da decisão sobre permitir ou não o Airbnb em condomínio, o síndico deve investir em regras objetivas de convivência.

Entre as boas práticas estão:

  • exigir cadastro prévio de hóspedes;
  • estabelecer procedimentos para entrega de chaves ou senhas;
  • controlar o acesso às áreas comuns;
  • definir responsabilidades por eventuais danos;
  • fiscalizar o cumprimento do regulamento interno;
  • aplicar as penalidades previstas na convenção quando houver descumprimento das normas.

Uma gestão preventiva evita discussões, protege a coletividade e reduz os custos decorrentes de litígios.

Qual a importância da assessoria jurídica?

Cada condomínio possui uma convenção própria e características específicas. Por essa razão, a decisão do STJ não autoriza a adoção automática de medidas idênticas em todos os casos.

Antes de alterar regras internas, aplicar multas ou impedir locações, recomenda-se a análise jurídica da convenção e da situação concreta do condomínio.

Essa cautela garante que todas as deliberações sejam compatíveis com a legislação e com o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça.

Conclusão

A decisão do STJ representa um marco para a gestão condominial e reforça a necessidade de atuação preventiva dos administradores.

O síndico deve revisar a convenção, orientar os moradores, convocar assembleia quando necessário e adotar procedimentos que garantam segurança jurídica para o condomínio.

Ao agir de forma planejada, o gestor evita conflitos, fortalece a governança condominial e assegura que as regras sobre Airbnb em condomínio sejam definidas de maneira transparente e conforme a legislação vigente. Fale com um Advogado.